Guia Prático de Como Fazer uma Boa Fanfiction: Tempo Cronológico e Psicológico


O tempo é um dos principais elementos do enredo, já que toda ação demanda um tempo e pensar nisso cuidadosamente é muito importante para que a história ganhe cada vez mais um ar de “realidade”. Além disso, é importante utilizar uma forma de registrar o tempo que não confunda seu leitor.
Vamos lá?
Existem dois tipos de tempo: o cronológico e o psicológico, que veremos com mais detalhes.


Tempo Cronológico
Está determinado explicitamente por datas: dias, semanas, meses, anos, décadas, etc. Você sabe exatamente quando aconteceu determinado fato.

O ano era 1840. Naquele dia – uma segunda-feira do mês de maio – deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa” (Machado de Assis). 



Tempo Psicológico
Passa apenas na cabeça do personagem e é geralmente usado em narrativas de primeira pessoa. Não há referências a qualquer data exata.

Fará somente vinte e quatro horas que me deixaram aqui derreado? Somo vinte e quatro, quarenta e oito, setenta e duas. Isto setenta e duas horas. Os chinelos desapareceram: ficarei aqui provavelmente um mês, dois meses” (Graciliano Ramos).
 Neste caso, o personagem apenas estima que horas podem ser, não sabe se é dia ou noite, em que dia da semana ou em que mês está. As horas passam apenas em sua cabeça e ele não tem como ter certeza se elas realmente passaram ou quantas foram.


OBSERVAÇÃO:
Os dois tipos podem ser em enredos lineares ou não-lineares. Será linear quando a história avançar seguindo determinada linha temporal (começo-meio-fim nessa ordem). E será não-linear quando essa estrutura temporal for quebrada; por exemplo, o meio pode vir primeiro, fazendo as vezes de começo, ou são inseridos flashbacks no meio da trama.


Você pode tranquilamente mesclar os dois tipos em sua história, depende de seu objetivo e do momento. Há alguns eventos que podem ficar melhores com a data explícita, como por exemplo quando ocorre algum evento importante.
Já outros, podem passar apenas na mente do personagem, como por exemplo a passagem daqueles dias que não acontecem muita coisa interessante, a preparação para algum evento, quando o personagem é aprisionado e não tem como saber dos dias, entre muitos outros casos.
Também é importante que você tenha certo controle dessa passagem do tempo para poder manter a verossimilhança, especialmente em algumas situações, como quando há uma viagem na história. Controle do tempo também é bom para saber onde e quando seus personagens estavam em certas partes da história, podendo assim desenvolver melhor sua trama e até conseguir subplots.
Especialmente se você não vai seguir a ordem começo-meio-fim, ter um registro da passagem de tempo pode ajudar você a não se perder no “tempo e no espaço” (piadinha infame), uma boa dica é fazer uma linha do tempo com tudo o que acontece na sua história. Determine uma data para o começo e registre os eventos que acontecem nesse dia, depois com o dia seguinte e assim sucessivamente. Coloque tudo, para não se perder, e depois você decide quais desses eventos aparecerão na história ou serão apenas mencionados ou rememorados pelo personagem.
É importante que essa linha seja cronológica, mesmo que você não vá seguir a ordem começo-meio-fim ou sua história se passe apenas no tempo psicológico. Assim você não embaralha as coisas e dificulta seu entendimento.
Você também pode decidir se a indicação das datas vai aparecer para o seu leitor ou não. Em “Sem Deixar Vestígios”, primeiro livro da minha série “Moonlight” (cuja degustação você pode ler aqui), optei por mostrar as datas porque esse acompanhamento é bem importante. Já em outras, a passagem do tempo é cronológica, mas não aparece para o leitor a indicação do dia do mês em que ocorre (como em “Firestorm”) ou esse registro é feito através da troca de correspondências e lembranças dos personagens (como em “Sangue Eterno”).
Independente do tempo que você escolha, faça o possível para situar bem o leitor, ainda que não apareçam horas, dias ou meses. Marque acontecimentos no passado ou futuro de uma forma que o leitor seja capaz de saber que não é o tempo “normal” da trama, sem necessariamente deixá-lo explícito como “Flashback on” e, mais adiante “Flashback off”. Você pode pular linhas, marcar esse trecho em negrito, itálico, colocar marcadores como “xxx” entre as cenas ou outro de sua escolha... Encontre a forma que mais lhe agrada.
Até o próximo post.

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